Segunda-feira, Abril 20

eleita
ai do amor
que não se deita

Domingo, Dezembro 14

ando
já com a alma ardendo em fogo
brando

Quarta-feira, Julho 2

personagens hibridos
de bicho e fruta
saídos de uma história infantil
econtemporânea

morangotango
javalimão
framboleta
pessegonha
tartaruva
cabracaxi
rinocereja

Quarta-feira, Abril 16

Coração ao tempo

No claro enigma de cravadas seis e meia,
pouco depois do analtecer da Imaculada,
as duas setas negro-azuis e extra anguladas
do meu relógio de parede vão à ceia.

Sorvem da sêmola o vigor de cada rima,
da carne tenra o nobre paladar estético,
do vinho tinto um ancestral torpor poético,
tudo a nutrir por fim do mito as obras-primas.

Insaciáveis vestem a asa imaginária
do tempo e o vento entre a razão e o precipíio
num vôo denso de imortal cumplicidade

forjando feito cicatriz hereditária
na raça humana o intransferível sacrifício
de alimentar deus Cronus pela eternidade
fome

como
como se não bastesse

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uiva, ruiva

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credor?
dever para crer

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sigo imundo
e freud?

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stock fotos
fotógrafos em estoque

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melô do dízimo

o templo não pára

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em/par/e/dado

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paixão

em cena
nenhum cenário
só a sina
do calvário

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dançando puladinho
puxo para qual dos lados?

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twist
trilha sonora
pro seu dedo em riste

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comida a K
comida, aquilo?
comi daquilo

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calvário
ambidextraordinário

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nababo
que não sou eu
a babar num nabo

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sem mamãe
a vida é nada
édipo rei
é de porrada

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novilhos de alfa-centáuro
respeito:
há de entrar agora
um bando
de dinossáuros

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no metrô
homens de neandertal
os assentos de cor cinza
são de uso preferencial

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há milênios ianomamis
sacrificam irmãos de sangue
por nascerem com
necessidades especiais

ai de quem contra os ditames
de hipocresias infames
for contra os ianomamis

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ato de cair inválido
rendido à cardiopatia
sórdida noite em que o dia
deu de amanhecer tão pálido

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mais um gol em minha safra
mais um poe em minha lavra

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vazio
caço minhocas
no estio

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vaguidão

vaga luz
afaga um blues
no coração

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rasga-se a página em branco
e eu inda intacto ao invés
vou de turbante e tamanco
muito menor que meus pés


Terça-feira, Abril 1

ociosidade
ócio duro de roer

Quinta-feira, Março 20

Por quanto tempo, quantos chás de erva-cidreira,
hei de soprar meu canto oculto no vazio
entre o vapor das infusões e o calafrio
da solidão que me abastece a vida inteira?

Faltasse o cintilar da fina porcelana,
sobrasse o vulto de uma nave de rapina,
e eu desembestaria rumo à Conchinchina
atrás do meu lugar na dinastia urbana.

Diria: vim para buscar fama e fortuna.
De cara, dez mil braços fortes e felizes
se empenhariam em trabalhar só para mim.

E eis que os traria sem revólver nem borduna
vendendo flâmulas de todos os países
até o final das Olimpíadas de Pequim.

Quarta-feira, Fevereiro 20


big net stress
duas semanas de férias
às margens do
lago ness

Terça-feira, Fevereiro 12

mostre-me um homem
que tem amor à verdade
que eu lhe mostrarei um
redator de publicidade

Sexta-feira, Fevereiro 1

CONSUMO PONTÍFICE

Segunda-feira, Outubro 22

a semana começou.
o culpado não sou eu.

Sexta-feira, Outubro 19

vaga luz de um vaga-lume

do meu nome
ninguém vai herdar a fama
diz o dito impopular
morre o homem, fica a cama

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"tanto é digno mandar quanto obedecer
desde que não haja arrogância nem bajulação"
josé engenheiros, filósofo argenino

"manda quem pode
obedece quem tem juízo"
filosofia popular brasileira

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era evangélico
até ler na bíblia:
"a terra não se venderá"

deu meia-volta
e tudo estava vendido

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avalone:

avalia
o valor
dessa avaria

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luzes do arrabalde

toda vez que aponto
na estrada de brita
persona de um conto
néo-cosmopolita
o mundo é meu mano
a grita é geral:
"lá vem seu Urbano
com a sua Rural"

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menos sinto
tanto quanto mais
instinto

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és um dos grandes da língua
não hás de escrever à míngua

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lagoas de maceió

sou sururu-de-capote
não existo
virei mote

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musicália

calha duma ou doutra loa
escaopolir-me à navalha

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tenso
paro-olho-penso
lágrimas ao lenço

Quinta-feira, Outubro 18

nau frágil

Quarta-feira, Outubro 17

o grama

ide, oh! grama
verbo lutar
primeira pessoa
presente do indicativo
sujeito oculto
verbo mudar
primeira pessoa
presente do indicativo
sujeito oculto

Terça-feira, Outubro 16

vero símio

Quinta-feira, Outubro 11

morri, chevalier

Quarta-feira, Outubro 10

politicamente concreto

a puta?
pobre da puta
só desvio
de conduta

cocaína?
caso clínico
nobre
dependente químico

alcoólatras?
meus homônimos
já pro
alcoólicos anônimos

fumantes?
esses eu malho
vão pra
casa do caralho

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ah! não:
indivíduo
verticalmente
comprometido

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cinismo clarividente
é chamar negro zulu
de mero afro-descendente

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como provar seu mal tônico
quem é cardiopata crônico
mas caminha normalmente?

como exigir seu assento
no ôniubus que vaga ao vento
da modernidade ausente?

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melhoridade:
verdade vira mentira
mentira vira verdade

Segunda-feira, Outubro 8

senta o pé
senta-a-pua
a centopéia
está na rua

ninguém vai
ficar parado
andar só com dois pés
é coisa do passado
sai baba

nababo
que não sou eu
a babar
num nabo
poeta bom
é poeta morto

chega a hora
de ancorares
noutro porto

daí?

tá com fome?
come

come
together

right now
over me

Terça-feira, Outubro 2

fuzarca

tamos a menos de um metro
da mais temível ressaca

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-estou aqui
a salvo de qualquer bala perdida

-embala o catupiry
e empala esse suicida

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não quero mais escrever poema
pouco me apraz o emblema do novo
quem sabe o embate na piracema
seja o suicídio de cada ovo

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estúpida quimera:

hás de render-me como o verão
reduz-me a tórrida primavera

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neganos

nega
vamos

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lá estamos nós
cá estamos nozes

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2007:

vede vedete
posso arrotar cocaína
depois de
beber grapette
eu sou el

quem me viu
quem me véu

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já não denoto contos
tampouco aponto nadas
a ída?
um nero conto de fadas

se é que não devoto montas
pois que sequer conto notas
a vida?
um mero conto de fodas

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oh! rastro do meu escarro
rente, tristonho, rasteiro:
para acender um cigarro
hei de comprar um isqueiro?

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tortura do ator

cria
recria
procria
policria
cri'atura

criatura
do torpor

slogan

g magazine
um prazer atrás do outro

Sábado, Setembro 29

malu mader
malu mother

Quarta-feira, Setembro 26

rapidinhas

otto e alessandra negrini
rompem ao fim da novela

paraíso tropical?

para ele, não pra ela

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china 2007
semifinal do mundial feminino de futebol:


são paulo e boca
nem resvalam-me os sentidos

o que me toca?
brasil e estados unidos

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Ao rés do chão
não me sobra um solo
em vão

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cunhas
pupunhas
mumunhas

unhas
sobre o que mais
me propunhas

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dá-me o rastro
do teu rosto
ou fico exposto
ao mau gosto

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sincero

mais que pra nero
que pra qualquer
lero-lero

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pintura

viver mais
do que a beleza
atura

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nobres influências

cá pra mim
mr. bean é charles chaplin
não chaves
nem chapolin

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escrevia
versos de luxúria e
de lascívia

hoje não
só vendo bíblia

eles crêem na palavra

eu sequer em poesia

Terça-feira, Setembro 4

diálogo no metrô paulistano

- está são, bento?
- está são, joaquim?

Sexta-feira, Agosto 31

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