Coração ao tempo
No claro enigma de cravadas seis e meia,
pouco depois do analtecer da Imaculada,
as duas setas negro-azuis e extra anguladas
do meu relógio de parede vão à ceia.
Sorvem da sêmola o vigor de cada rima,
da carne tenra o nobre paladar estético,
do vinho tinto um ancestral torpor poético,
tudo a nutrir por fim do mito as obras-primas.
Insaciáveis vestem a asa imaginária
do tempo e o vento entre a razão e o precipíio
num vôo denso de imortal cumplicidade
forjando feito cicatriz hereditária
na raça humana o intransferível sacrifício
de alimentar deus Cronus pela eternidade